terça-feira, 3 de maio de 2011

Odete

Odete não se encontra. Os dias, isolados, repletos de acasos, nunca se completam. Tudo oscila.
Apenas o silêncio e a música são constantes na vida de Odete agora.
O silêncio reflete a batalha dentro dela: Odete não aprende, Odete não se decide, portanto se cala. Não consegue ouvir a voz do seu silêncio, e sofre.
Odete aprisionou a música. Tudo lhe escapava das mãos, mas a música não haveria de. Odete aprisionou a música com tanta força dentro de si, que esta, agora, se mantém presa por vontade própria. Seduzida, se deixou transformar em seu pilar.
Odete segue de coração acelerado, confusa.

Hoje. Amou S. numa conversa à tarde. Detestou as perguntas incovenientes de P. Alegrou-se com a possiblidade de uma nova amizade erótica. Comoveu-se com antiga. Condenou a música alta de I. Perdoou-o ao vê-lo embriagado, às gargalhadas. Riu com ele. Depois foi pra casa e chorou, só.

Odete nasce e morre a cada dia.

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