terça-feira, 26 de julho de 2011
A.
Foi embora pra sempre, e eu aqui, olhando pra esse céu azul, pra essa nuvens laranjas, sem conseguir acreditar. Pra sempre. Aos 17 anos e 26 dias de vida.
domingo, 12 de junho de 2011
A.
A.
Não consigo parar de pensar em A. Não consigo acreditar que esse dia todo lindo, com a vida rolando solta aqui fora, dia de futebol, dia dos namorados, dia de passeata, um dia comum... é mais um dia em que A. não consegue sequer respirar. A. apenas consegue pensar, e acredito que seria melhor se ela não conseguisse.
A. não é minha amiga, mas eu sou amiga de dela. A. confiava em mim. A. me pedia dinheiro. A. me contava suas aventuras adolescentes. A. é ingênua como eu, mas adora se fazer de esperta. A. acaba de completar 16 anos... e agora, tudo o que consegue fazer... é pensar. Tudo. Eu temo por ela. E também torço, torço para que volte, torço como há muito tempo não torcia por alguém.
Não consigo parar de pensar em A. Não consigo acreditar que esse dia todo lindo, com a vida rolando solta aqui fora, dia de futebol, dia dos namorados, dia de passeata, um dia comum... é mais um dia em que A. não consegue sequer respirar. A. apenas consegue pensar, e acredito que seria melhor se ela não conseguisse.
A. não é minha amiga, mas eu sou amiga de dela. A. confiava em mim. A. me pedia dinheiro. A. me contava suas aventuras adolescentes. A. é ingênua como eu, mas adora se fazer de esperta. A. acaba de completar 16 anos... e agora, tudo o que consegue fazer... é pensar. Tudo. Eu temo por ela. E também torço, torço para que volte, torço como há muito tempo não torcia por alguém.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Odete
Odete não se encontra. Os dias, isolados, repletos de acasos, nunca se completam. Tudo oscila.
Apenas o silêncio e a música são constantes na vida de Odete agora.
O silêncio reflete a batalha dentro dela: Odete não aprende, Odete não se decide, portanto se cala. Não consegue ouvir a voz do seu silêncio, e sofre.
Odete aprisionou a música. Tudo lhe escapava das mãos, mas a música não haveria de. Odete aprisionou a música com tanta força dentro de si, que esta, agora, se mantém presa por vontade própria. Seduzida, se deixou transformar em seu pilar.
Odete segue de coração acelerado, confusa.
Hoje. Amou S. numa conversa à tarde. Detestou as perguntas incovenientes de P. Alegrou-se com a possiblidade de uma nova amizade erótica. Comoveu-se com antiga. Condenou a música alta de I. Perdoou-o ao vê-lo embriagado, às gargalhadas. Riu com ele. Depois foi pra casa e chorou, só.
Odete nasce e morre a cada dia.
Apenas o silêncio e a música são constantes na vida de Odete agora.
O silêncio reflete a batalha dentro dela: Odete não aprende, Odete não se decide, portanto se cala. Não consegue ouvir a voz do seu silêncio, e sofre.
Odete aprisionou a música. Tudo lhe escapava das mãos, mas a música não haveria de. Odete aprisionou a música com tanta força dentro de si, que esta, agora, se mantém presa por vontade própria. Seduzida, se deixou transformar em seu pilar.
Odete segue de coração acelerado, confusa.
Hoje. Amou S. numa conversa à tarde. Detestou as perguntas incovenientes de P. Alegrou-se com a possiblidade de uma nova amizade erótica. Comoveu-se com antiga. Condenou a música alta de I. Perdoou-o ao vê-lo embriagado, às gargalhadas. Riu com ele. Depois foi pra casa e chorou, só.
Odete nasce e morre a cada dia.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Disse
Se despediu sem ao menos ter chegado. De novo.
Surpresa, ela o observava desaparecer no horizonte.
Se pudesse, o daria asas.
Se pudesse, arrancaria o grito preso na garganta.
Tinha medo de dizer que o amava.
Não disse.
Surpresa, ela o observava desaparecer no horizonte.
Se pudesse, o daria asas.
Se pudesse, arrancaria o grito preso na garganta.
Tinha medo de dizer que o amava.
Não disse.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Manhã Universal
Abriu o livro numa página aleatória, e a primeira palavra: "Valparaíso". "Valparaíso cintilava naquela noite universal."
E assim, tudo se construiu. A noite virou dia, e tudo cintilava naquela manhã. O canto. O pássaro desconhecido. A respiração. A voz trêmula. O compasso. O contato.
Manhã no mundo da lua aquela...
E assim, tudo se construiu. A noite virou dia, e tudo cintilava naquela manhã. O canto. O pássaro desconhecido. A respiração. A voz trêmula. O compasso. O contato.
Manhã no mundo da lua aquela...
terça-feira, 3 de agosto de 2010
O guerreiro
Aquele coração frágil de passarinho não podia aguentar tanto. Era olho que arregalava, bicho que amuava, bicho que relinchava.
Há muito esperava o sol se pôr, mas ele só nascia...
Acordava e dormia e nada da noite chegar...
Te acalma, homem, que a estrada é muito longa.
Te acalma, homem, ainda há muita ternura a chover sobre nós...
Te acalma, homem, que tu aprenderás a domar esses cavalos...
Te acalma, homem, que nem tudo, enfim, é guerra.
As estrelas haverão de iluminar nosso caminho...
Há muito esperava o sol se pôr, mas ele só nascia...
Acordava e dormia e nada da noite chegar...
Te acalma, homem, que a estrada é muito longa.
Te acalma, homem, ainda há muita ternura a chover sobre nós...
Te acalma, homem, que tu aprenderás a domar esses cavalos...
Te acalma, homem, que nem tudo, enfim, é guerra.
As estrelas haverão de iluminar nosso caminho...
segunda-feira, 29 de março de 2010
Para P. e P.
Vovô,
Daqueles três dias foras do tempo, não me esqueci de nenhum. Não esqueci do quanto vocês riram do segredo que contei. Da cara de Vovó quando ouviu. Da pesca dos cinco peixinhos. Do arco-íris inteirinho em cima do mar. Lembra de Vovó tirando a ciroula do traseiro? Ah, que engraçado que foi! A gente lá no sol e na areia, e no mar, e o amor era tanto, tanto, tanto que a gente não queria mais voltar pra casa, e a gente só ria. Nem o calor importava. Nem a fome. E toda hora você e Vovó riam do meu segredo. E me faziam rir também, porque a graça era sincera.
Tá aqui dentro ainda aquela lua cheia. Aquele passarinho azul e vermelho. A poesia sobre o velho e o mar. A bebida mágica de limão galego. O medo da serpente durante nossa caminhada na floresta. Aquele beija-flor pequeno e moribundo que de repente avoou de nossas mãos causando espanto e alegria. A dança desajeitada que a gente quase não dançou e que por isso não tomou muito jeito.
Depois de tanto, só me falta uma coisa, Vovô. O lenço de Maria que me prometeu.
Daqueles três dias foras do tempo, não me esqueci de nenhum. Não esqueci do quanto vocês riram do segredo que contei. Da cara de Vovó quando ouviu. Da pesca dos cinco peixinhos. Do arco-íris inteirinho em cima do mar. Lembra de Vovó tirando a ciroula do traseiro? Ah, que engraçado que foi! A gente lá no sol e na areia, e no mar, e o amor era tanto, tanto, tanto que a gente não queria mais voltar pra casa, e a gente só ria. Nem o calor importava. Nem a fome. E toda hora você e Vovó riam do meu segredo. E me faziam rir também, porque a graça era sincera.
Tá aqui dentro ainda aquela lua cheia. Aquele passarinho azul e vermelho. A poesia sobre o velho e o mar. A bebida mágica de limão galego. O medo da serpente durante nossa caminhada na floresta. Aquele beija-flor pequeno e moribundo que de repente avoou de nossas mãos causando espanto e alegria. A dança desajeitada que a gente quase não dançou e que por isso não tomou muito jeito.
Depois de tanto, só me falta uma coisa, Vovô. O lenço de Maria que me prometeu.
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